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Acalanto

Wake up call

Menina medrosa. Toma um não e foge. Menina covarde. Toma uma porrada e não bate de volta. Menina cagona. Toma uma bronca e se enfia suando frio no escuro embaixo da escada. Saí debaixo do edredom, sua boba. Você é humana. Saí, de que adianda ficar chorando? De que adianta se arrepender do erro? Nada mudará se você continuar assim. Essa sua falta de movimento é altamente irritante, pirralha mimada. Quantos tapas na cara você tem que levar pra aprender que a vida é feita de dores, de medos, de acertos também, e que a felicidade existe - em menos proporção talvez, mas existe. Está viva, na sua cara, estalando os dedos nos teus olhos caídos de desanimo. Levanta, arruma a postura dos ombros. Vê se relaxa um pouco. Ferro e fogo não adiantam. Leva a vida mais pro lado da água e do ar, assim mesmo, saindo do chão, sem a pressão da gravidade, sem o medo do tombo, sem o peso do corpo e da culpa. Vai flutuando pelos dias, sem pressa, com ânimo, olha pro céu, pro mar, pra beleza que te cerca. Com força, porque o que te falta é força! Você é altamente madura pra tantos assuntos! Que bicho te morde diante dos teus desafios? Já sei. É aquele medo, né? Medo de não ser perfeita. Garota, você não é. Nem você, nem ninguém. Acorda, wake up. Todo mundo erra-acerta-erra-erra-acerta. É esse o fluxo natural. Mas você é uma atrativo de problemas! Se algo sai dos teus conformes, você trata logo de por tudo fora dos eixos, caga com todo resto. Até quando, hein? Joga a merda no ventilador! E quem tem que limpar a merda que você vira? Quem te cerca, claro. Porque querida, do jeito que você é mimada, que faz no primeiro sinal de desespero? Corre pra mamãe, pro papai, pro namorado, pra psquiatra e joga o problema nos outros. Grita, chora esperneia. Quer pílula mágica. Quer carinho, atenção. Quer regredir. Quer dormir e acordar no paraíso. Pensa em morte, acha que morrer é a solução pra tua vida. Sua escrota! Quando egoísmo. Não vê o quanto sofrimento em teus familiares se fizesse um dia uma merda dessa? Morrer é solução pra quem morre. Pra quem fica é culpa, é peso, é desalento. Vê se te cria. Quando calçar o tênis de manhã, olha pras tuas mãos e te levanta! Caminha pra frente, adiante! Olha bem pra tua cara de desanimo no espelho e lembra que a sua vida é boa, é bela, é agradável. Imagina que o pior pode piorar, e que de nada adianta tuas palavras contra o teu destino. Levanta, tira o edredom da cabeça. saí debaixo da escada. Ainda é tempo. Ainda há tempo.

Escrito por Marcella Prado    Santos, 26 de abril de 2012

Efeito calmante

Visão turva, esperançosa, deprimida. Perdi a precisão dos movimentos e uma leveza abraça meu desalento, meu corpo, anteriormente tão triste e desgastado; rio sozinha da perda progressiva das sensações e acho tudo engraçado. Esse estado de transcendência é alegre. Quase uma poção de desprendimento, de não sentir os membros inferiores e saber que ainda os tem. Acho fascinante o estado de loucura causada por calmantes. É genial. o olhar pesa devagarinho - sem movimentos bruscos - a boca seca, os dedos não obedecem, a fala fica lenta e desnorteada. Todo movimento é leve, a sensibilidade para dor diminui bruscamente. Me belisca, e eu não sinto.

Agora não sei dizer o que vejo, umas peças de roupa. Aproveito o efeito do remédio e me sinto livre, lindo.Free. I’m free. Sem lágrimas, sem medo. Agora me abraça Morfeu, me abraça e me leva contigo para o mundo dos sonos mais belos.

Escrito na madrugada fria do dia 24 de abril, por Marcella Prado

1 month ago / 2 notes /

Éramos quatro

Depois que começamos a namorar a vida muda. Muda pra melhor, fica mais bonita, colorida, intensa, divertida, prazerosa. Existem tantos aspectos positivos. Mas claro, nem tudo é inteiramente perfeito. Nada é completamente positivo. Tenho uma queixa, uma confissão. Depois que passei a construir minha vida a dois, perdi o contato com as minha queridas, minhas amadas e tão valiosas amigas. E não adianta. Por mais que eu tente reatar o laço, nunca mais seremos as mesmas, porque a vida simplismente anda, corre, nos distancia. Acho triste. Fico com os olhos cheio de lágrimas quando me recordo dos momentos maravilhosos que passei do lado das minhas três mosqueteiras, que tanto me acolheram, compreenderam e amaram no pior momento da minha vida. Pior em termos, pois posso dizer que muito me diverti. Fui feliz, fui alegre. Só euu que não via.

Não digo que sinto saudades da solteirice, seria uma mentira e tanto! Sinto sim saudades dos momentos de liberdade que tinha ao lado das três queridas. Saudades de cantar no carro, de revelar os mais infames segredos, de tomar porre, de ir pro hospital, de corrermos umas pelas outras, sempre, sempre. Não importava pelo que. Não importava onde. Éramos tão felizes. Havia em nós um laço invisível, um corrente que nos entrelaçava e unia.

Sinto falta daquela felicidade pura que sentia ao lado delas, dos nossos esquentas regados de espumante e vodka, de tomar tequila e quase morrer no dia seguinda, de atravesar o mar para aproveitarmos a noite de sábado, das nossas aventuras, nos nossos medos, dos nossos dramas, dos nossos choros pré-balada. Sinto falta dos telefonemas clandestinos, das risadas, do som das vozes, do toque da pele. Das noites em que encarnávamos espíritos de gordinhas e passávamos a noite em frente a tv a assistir a algum filme, enquanto relembravámos os mais ilustres momentos de nossas vidas. Sinto uma imensa saudade.

Confesso que o erro foi meu. Sem perceber me afastei, e me arrependo tanto! Ás vezes tomo coragem, mando um recadinho, dou uma ligadinha, mas no fundinho do meu coração eu sinto uma vergonha insana por ter deixado nosso laço afrouxar. E não sei reparar o erro, e não sei lidar. Penso nelas quase que diariamente, me preocupo ainda. Me pergunto como anda o coração delas, a rotina, as amizades, as saídas. Mas sou covarde. Não demonstro. Sinto em silêncio, de mansinho, como se nada houvesse. E sigo, sigo porque a vida de todas nós segue. A vida não pára. A vida corre. E digo que sinto saudades.

Nunca fui boa com a palavra oral. A escrita sempre me agradou mais. Costumo escrever pra não chorar, não dizer, pra me esconder e pra pedir perdão. Peço então perdão. Perdão pelas minhas imperdoáveis ausencias e descomprometimento. Perdão por ter sumido feito fumaça da vida de vocês. Perdão.

Escriito por Marcella Prado Santos, 19 de abril de 2012

1 month ago / 3 notes /

Amado amor

O amor é lindo. Amar é lindo. Ser amado é maravilhoso. Eu nunca havia experimentada essa sensação deliciosa da reciprocidade de sentimentos. O amor é tão sincero, tão belo, tão puro, tão tão! “O amor é o único sentimento capaz de enobrecer qualquer situação”, diz o escritor argentino Alan Pauls. Concordo de olhos fechados com ele. Concordo com o corpo, com o coração, com os olhos, com meus ouvidos. Não há nada mais belo que ter o privilégio de observar sem compromisso um casal apaixonado, deitados na grama, no chão de um estádio a espera de um show, diante de uma longa espera, eternizados, envoltos em uma atmosfera de carinho e amor.

Depois que provei como é receber amor, não quero mais saber de nada além de me deleitar. Creio que ás vezes até me esqueço da rotina, dos estudos, da vida. Se pudesse me mudaria para o campo, pra um lugar com flores, bastante colorido, com clima ameno. Levaria meus livros, uma rede e meu amor. Levaria no peito a capacidade de me doar, de não mais me doer, contrariando Caio Fernando Abreu. Seria esse o paraíso. Seria esse meu eterno deleite. Viveríamos para sempre com apenas uma função: amar. E é tão chato amar no nosso mundo de obrigações! Não acham? Eu acho. Acho chato quando adormeço no peitoral morno do meu amado e logo me vem a mente imagens do dia seguinte, dos afazeres, das pessoas chatas, de gente que não gosta de mim, etc., etc. Mas talvez sem as chatices, não déssemos importância para a calmaria do momento em que se concebe o amor.

Não consigo definir bem o que é o amor. Sei apenas que faz bem, se sentido do jeito certo, pela pessoa certa, na hora certa, no lugar certo. O amor é o que acontece quando dois corpos são magnetizados, e se enlaçam, e se entrelaçam, se beijam, se amam, se olham, e ás vezes choram de tanto amor. Eu ás vezes olho pra o meu amor e choro. Choro de felicidade. Choro sem querer, e quando percebo estou sorrindo e chorando, sem vergonha de me mostrar, porque amo. E digo, e sinto, e choro. Chorar de alegria é também uma sensação maravilhosa. O peito se contrai, e sem perceber o olhar transborda. De mansinho, e os lábios sorriem.

Escrito por Marcella Prado  Santos, 13 de abril de 2012

1 month ago / 1 note /

Menina medrosa

Desde que comecei meus estudos na faculdade de filosofia minha mente está confusa. É tanta informação, medo e paixão pelas novas informações e pesares da consciência que ando levemente desnorteada e alheia a realidade. Acho até que estou maníaca, tarada por livros, com uma sede enorme de saber. Quando mais leio, mais quero ler. Passo noites em claro, mergulhada, encantada e aterrorizada com o pensamento de tantos gênios. Confesso que admiro muito a cultura grega, que tanto me ensinou nos últimos meses. Acho que, se eu tivesse que seguir uma religião, escolheria a mitologia, que é cheia de histórias e símbolos lindos, mágicos. Os deuses são mais humanos, suscetíveis a paixões, erros, medos, desafios e conflitos. Assemelham-se bastante conosco, a não ser pelo fator mais importante: são imortais e não se alimentam de pão e vinho. E como é linda a imortalidade mitológica – conturbada, admito -, mas linda! Tão mais linda e sedutora que a imagem cristã. Nunca me atraiu a idéia de paraíso vendida pelos católicos, e a grega tão pouco! Para os gregos só há paraíso para os deuses. Os mortais que se virem no inferno! Deuses me livrem do destino do mundo inferior! Mas a imortalidade dos deuses, ah! Eu amaria. Quão maravilhoso seria não sentir fome, sede, calor, frio. Poder modificar o destino, os, as vontades, os sabores. Modificar a si mesmo em um piscar de olhos, um estalar de dedos! Transportar-se com a força do pensamento. E sonho com essa impossível possibilidade quando estou soterrada atrás de livros, choramingando, orvalhando as páginas com minhas lágrimas ignorantes, e medrosas. Eu tenho medo de tudo.

Lembro que desde criança eu tinha uma neura, sempre corriqueira. Em todo início de ano letivo eu costumava chamar minha mãe para uma conversa que eu batizava como “muito séria”, e me sentava ereta e concentrada, diante da minha querida e paciente mamãe. Suspirava um pouco, enrolava, umedecia os lábios, fazia uns gracejos. Respirava fundo, enchia o peito e dizia, com um pesar no olhar, cobertos de vergonha: “Mãe, acho que não sou capaz de passar para o próximo ano. Não tenho bagagem suficiente, não aprendi muita coisa e talvez seja melhor você conversar com a minha professora…” e continuava argumentando para que minha mãe tomasse uma iniciativa. Claro que eu fracassava. Minha mãe segurava o riso com uma expressão retraída que a deixava com bochechas avermelhadas, e,  me dizia para parar de besteiras. Essas besteiras que me atormentam até hoje. Desde menina, desde quando eu andava pela sala com minhas saias plissadas, e meus sapatinhos de boneca, com os cabelos sempre embaraçados, rodopiado pela casa atrás da minha chupeta.

Escrito por Marcella Prado    Santos, 12 de abril de 2012

1 month ago / 1 note /

A vida está viva

Queria ser menos medrosa, menos cagona pra encarar a vida. A verdade é que eu me pelo de medo de tudo. Estou sempre desvirtuando a minha atenção daquilo, ou daqueles que precisam de mim, por egoísmo, por receio talvez.

Eu tenho medo de quebrar, de rachar a cara, de arranhar as bochechas de porcelana, de enrugar o canto dos olhos, de murchar meu sorriso, de tirar a máscara de boneca que a mim foi confiada - esse papel ridículo de princesinha da mamãe e do papai, de aura angelical inquebrável -, da felicidade retocada, das verdades irretocáveis.

Morro de pavor de abrir meus livros e não entender porra nenhuma que está escrito, de voltar a malhar e sentir dores musculares infernais, de retornar para uma alimentação sadia e sentir fome, então eu adio, eu deixo pra amanhã aquilo eu não farei nunca, nem eu meus sonhos – mas é por medo! Eu juro que é por medo. Eu arrumo louça pra lavar, casa pra arrumar, unha pra fazer, cinema pra assistir, só pra mascarar todas minhas responsabilidades que pulam na minha cara amarela e envergonhada, coberta de secreção, podre, chorosa, pesada e rançosa.

A vida tá viva, tá me chamando, quer que eu acorde. Eu continuo sentada, sedenta, confortável, em um mirante, com uma lupa, a observar, a julgar, e a temer o futuro, a dúvida, o incerto, o efêmero. Quero abraço, quero palavras de amor, quero confiança e quero ter certeza do incerto. Quero o impossível. Quero tanto e nada faço. Continuo ajeitando quietinha a barra da minha camiseta, assistindo um desenho, lendo algo confortável, esperando a mamãe chegar do trabalho. Eu tenho medo de quebrar, rachar, estourar. E o medo sufoca toda possibilidade de ação. E sem ação continuo estática, nula, singular, imperceptível.

Escrito por Marcella Prado   Santos, 20 de março de 2012

2 months ago / 4 notes /

Fica

Não suporto a idéia de deixá-lo. Mesmo sabendo que estaremos separados apenas por algumas horas, e que manteremos contato durante o período de afastamento, meu coração pula, uma vez colado ao teu, para o abraço de nosso breve adeus. Odeio ver em teus olhos castanhos a tristeza de nossa programada separação e sinto um pesar imenso em meu coração, que dilacera e vai embora contigo, meu amor. Creio que isso é drama e besteira minha, afinal, somos ainda namorados, nos amamos e nos queremos imensa e urgentemente. Mas internamente, - Ah! Se eu fosse capaz de calar a voz demoníaca que tenho em meu interior!- dá-me um medinho, uma fagulha de desolação. Sofro por antecipação em todas as situações em que prevejo a tua partida prematura, e te aproveito em cada beijo, cheiro, aperto e mordida. Bagunço teus cabelos contra tua vontade para fazê-lo rir e te chamo de amor sussurrando em teu ouvido áspero. Deixo-me afagar em teu peito suado e quente, ouço as batidas aceleradas do teu coração, e tento passar à ele todo meu anseio desesperado  para a tua permanência impossível. 

Talvez eu seja carente demais, e te sufoque demais. Talvez eu seja traumatizada com essa história de adeus, que no nosso caso não é nem um adeus tão dramático assim. É só um breve “até logo – tchau – nos falamos já – te amo”. Tente entender que minha necessidade de ti transcende todos os padrões de amores convencionais. Sinto que agora sou parte de ti, e não mais inteira. Somos os dois um inteiro, eu metade de ti e tu é quase toda minha figura inteira, porque é em ti que encontro minha plenitude, minha paz e felicidade. Sorrio sempre quando estou sendo afagada em teus braços e aguardo ansiosa pelos teus beijos corridos nos intervalos das aulas, que passam sempre tão lentas, e em contradição teus afagos demais de apressados!

A hora mais feliz do meu dia é a hora da tua chegada triunfal – ao menos para mim -  quando te encontro e te conforto em meu abraço, e, certamente a hora mais triste é a hora da tua partida. E lá vou eu, com minha mochila florida colorida, caminhando sempre com um pesar na sola dos pés, de cílios cabisbaixos, caçando alguma música de consolo, com o celular em punho e um gemido de saudade engasgado no peito. 

Escrito por Marcella Prado                                Santos, 10 de março de 2012

2 months ago / 2 notes /

Q & A

Não tenho dúvida alguma, você é uma grande mulher! Tudo que escreve sempre me faz bem... Acredito que esse teu dom de escrever vai longe. Feliz dia da Mulher! Que tu nunca mude... Você é perfeita aos meus olhos. Sou tua fã! <3

Minha querida, muito, muito obrigada. É altamente compensador ler  algo assim tão sincero! Obrigada por acreditar tanto no meu dom de escrita, já acreditei mais nele. Um beijo pra ti! <3 

2 months ago / asked by seja-meu-anjo

Q & A

Moça,tu escreve bem demais. Seguindo!

Muito obrigada :) 

2 months ago / asked by orbitasincompletas

Anjo meu

Por vezes acho que te sufoco, estrangulo, torturo e afogo com todo meu amor. Peço perdão por esse imenso querer e saudade, que estão sempre a ponto de explodir em meu peito morno. Anseio terrivelmente a tua chegada e abomino a tua partida sempre tão súbita e desesperada. Meu olhar transborda água salgada de tanto te querer e da solidão que me acomete do escuro silencioso do meu quarto. Meus cílios apontam para o chão, sem pesar, orvalhados de paixão.

Peço perdão a ti, eterno guardião do meu tão frágil coração, das minhas horas preciosas de felicidade, do meu sorriso torto, sincero, amarelado e eloqüente. Perdão por tanta urgência da tua presença, pela carência escrota que infantil que sinto na tua ausência programada. Não quero te sufocar, e tão pouco desgastar o amor que existe abrigado no teu coração de anjo.

Quero apenas sentir teus dedos de violonista – tão tortos e compridos, tão teus!– acariciando meus cabelos cor de mel, sempre embaraçados. Quero o afago das tuas bochechas pardas e macias contrastando com a palidez da minha face. Quero ouvir teu coração batendo quente junto ao meu. Quero apreciar teu sorriso manhoso ao amanhecer, abraçar-te ainda com cheiro de cama, pousar sobre ti meu olhar carinhoso e desejar bom dia. Me agradaria muito rever teus cílios negros e embaraçados, cheios de esperança,  enquanto modelo teus cachos revoltos e me aconchego nos seus braços compridos e macios.

Escrito por Marcella Prado   Santos, 25 de janeiro de 2012 

4 months ago / 6 notes /

Não faça o que eu digo, e muito menos o que eu faço

Minha promessa para 2012 é não aconselhar. Não cometerei mais esse erro besta. Não suporto. Não consigo digerir o sofrimento alheio com tal precisão e nem com tamanha inteligência. Não sou terapeuta e tão pouco a mais correta das criaturas. Não façam o que eu digo e nem o que eu faço. Não presta. Não vale nada. E meus queridos, caso eu não peça opinião, não se enfiem na minha vida. Digo enfiar porque ultimamente ando com um probleminha de saúde, e não sei a gravidade e nem exatamente qual é a fonte da infecção urinária que tem acabado com meus dias de prazer e devastado com todas as minhas horas de descanso e trabalho.

Tenho passado as semanas levemente perturbada com a ardência insistente que permanece ainda na minha uretra, sem folga. Devo ter desenvolvido alguma bactéria mutante, incansável, que atendeu a todos os meus pedidos passados de morte e doença, mas ela veio tão tarde! Não quero mais saber de dor e sofrimento. Agora choro pelo concreto e por tudo que me é tirado. Cada ida ao banheiro é um parto. Dói na espinha. Choro por coisas pequenas, porém essenciais para meu sorrisinho amarelo e infantil – que é composto por meus dentes pequenos, meu contorno labial vermelhinho e petit que exibo. Estou terminantemente proibida de ingerir alimentos que contenham acidez, o que inclui quase todas as minhas frutas e sucos preferidos. Minha cervejinha gelada idolatrada não entra mais pela minha boca quente e ressecada pelo calor que tomou nosso país pelos últimos tempos. Tenho trocado por sorvete ou água gelada.

Aliás, água tem sido a base de toda minha alimentação. Acordo tomando água, trabalho bebendo água, entre um café e outro me obrigo a tomar mais um copo e mesmo antes de dormir: água. H2O, creio eu que é o líquido mais puro, a solução mais limpa de toda a tabela periódica, e talvez a única lembrada por quase todos os estudantes totalmente sem interesse e cansados que eram obrigados a freqüentarem as aulas de química. Agora mesmo, enquanto escrevo, tenho em minha companhia uma xícara de água, envernizada, com detalhes em azul e amarelo. Eu vou trocando de recipiente para não enjoar. Ás vezes opto por garrafinhas de meio litro, copos robustos, canecas decoradas; Acho que é uma maneira de não enjoar.

Não quero aqui espantar meus amigos, por favor, nada de mágoas. É talvez apenas um daqueles momentos que tenho de reclusão. Preciso de solidão. Claro que quero me curar. Então parem de me olhar com olhos de misericórdia e de me entupirem com conselhos clichês e infinitos. Daqui a pouco vão me mandar beber o primeiro xixi da manhã ou coisas do gênero. Entendo plenamente a preocupação, e sei também que todos têm sempre uma receita milagrosa que pode ser a minha cura. Agradeço, sem ironias, mas estou fadigada de tantas sugestões. Não sei por onde começar a agir, e, além do que, sinto-me totalmente inútil. Sinto-me culpada e débil. Sinto-me com 5 anos de idade. Preferia internar-me por um tempo, usar sonda, soro e ter todos os cuidados necessários.

Cheguei a ficar tão paranóica com esse meu probleminha que cogitei até mesmo ir em algum centro de espiritismo – ou até mesmo macumba – e me benzer, mijar em panela quente de ferro pra tirar toda essa zica impregnada no meu ventre, fudido, debilitado e ardente, sempre tão ardente! É chato urinar colorido todos os dias, manchar as calcinhas, o pijama, a cama e sabe-se lá mais o que. É chato, embaraçoso. Meu lixinho parece mais um experimento infantil feito de tinta guache, com tons de laranja, vermelho e amarelo. Nojento, estranho, fétido e constrangedor.

Peço apenas que voltem a me tratar como amiga, prima, sobrinha, filha e não mais como paciente.

Escrito por Marcella Prado       Santos, 12 de janeiro de 2012

4 months ago / 1 note /

A vida é curta

A vida é curta. Curta, mas impiedosamente lenta, e terrivelmente demorada para os corações inquietos. Meu corpo está oco, sinto uma bolha de ar preenchendo minha caixa torácica, e de certo um peso incalculável nas pálpebras exaustas da mesmice que vejo em meu futuro. Sofro. Estou embaixo da escada, escondida, feito uma criança mimada, encolhida e sufocada, ofegante e molhada de suor gelado. Morrendo de medo. Feito uma criatura com pavor de uma possível surra. Mas não sou criança, e certas vezes lamento isso, com nostalgia e pesar. Contraio meus músculos e seguro minhas pernas, em posição de feto, com pavor da vida, que me promete muito, mas me mostra tão pouco.

Sou feita de cascas, como  uma cebola. A começar pelo cabelo cor de mel, levemente vermelho, com luzes aloiradas, que destacam meu rosto e que combina estrategicamente com meus óculos da marca Chanel – brilhante nas laterais, porém discreto e elegante – que me deixam com um ar misterioso e intelectual, criando uma película entre mim e o mundo exterior, e aos meus opostos. Me escondo atrás de livros – carrego-os na bolsa ou debaixo do braço - , aparentando superioridade. Faço questão de me maquiar todas as manhãs, para esconder o rosto pálido que habito, para corar minhas bochechas pálidas e principalmente – para disfarçar minhas olheiras roxas e profundas.

Por alguns instantes pareço leve e divertida, depende do como acordo. O tempo também interfere meu humor. O verão se aproxima, e quando penso no bafo quente que o vento soprará com a elevação brusca das temperaturas, meus pêlos se arrepiam, e tenho vontade de hibernar feito uma ursa, ou quem sabe acordar apenas ao entardecer, para não assistir ao espetáculo lindo e pavoroso dos raios de sol.

Odeio tudo que o calor traz consigo. Não suporto o suadouro, o escorrer da minha maquiagem, os raios brilhantes penetrando minha palidez, queimando minha pele e esquentando a minha cabeça. Odeio, porque todos me olham como se eu fosse o fantasma da ópera. Sou apontada como criminosa por não gostar de verão, não largar nunca minhas calças jeans e abominar a moda ridícula que o verão impõe nos seres torrados. Por mim eu mudaria para o Alasca, sem pensar duas vezes. Eu fecho a janela na cara do Sol, e também da vida. Cerro as portas, tranco meu interior com cadeados, que só são abertos através da escrita.

Não tenho medo de escancarar minhas dores para o mundo. Tenho medo de coisas piores. Tenho medo de mim. Não sinto vergonha do sofrimento, e tão pouco a perturbação latente que me causa frios glaciais na boca do estômago, esse meu órgão sensível que sobrevive aos trancos e barrancos, constantemente irritado e machucado, consumido pelo suco gástrico  - que é potencializado pela minha inquietação – e pedindo ajuda, clamando para calmaria dos meus pensamentos negativos e medrosos.

Tenho medo da vida, verdade seja dita. Tenho medo de quebrar a cara, de nada dar certo, de não ser feliz, de não ser nunca plena. Me sinto sempre tão rasa e só.  Quero rir o riso verdadeiro, sentir alegrias constantes, me apaixonar pelo novo e abraçar o mundo com as mãos. Não quero mais sentir os pesares do pensar, e nem absorver somente o lado áspero da minha existência. Não quero mais ter que sofrer por ser como sou. Não quero mais ser cebola. Quero ser um legume inteiro, consistente. Quero deixar de ser oca. Quero crescer.

Metade de mim parece ainda um recém-nascido. Sou manhosinha, luto contra o sono, tenho medo da noite e preciso sempre da mamãe perto de mim. E do papai também. Brigo com meu priminho de 10 anos como se tivéssemos a mesma idade – sempre tenho que dar a última resposta na discussão – e insisto em perturbar meu irmão, fazendo piadas e caçoando dele, pobrezinho, e ele fica em silêncio, mirando meu prazer em difamar e caçoar das imperfeições dos outros, mudo, pois sabe que de nada vale reagir.

Além de medrosa, nasci cansada. Segundo minha mãe - que um dia será canonizada por ter me parido e suportado por toda vida - nasci inerte, arroxeada e preguiçosa. Ainda muito frágil, me acomodei no látex impessoal das mãos do obstetra que me trouxe ao mundo, e que por segundos pensou que eu estivesse morta. Nasci dormindo para a vida. Não chorei. Precisei levar uns tapas no meu bumbum ainda encharcado pelo líquido que me envolvia e protegia na barriga aconchegante de minha genitora. Ao ouvir meus berros todos puderam ver que sim, eu estava viva – viva, medrosa e sonolenta.

Pois acho que desde meus primeiros instantes até agora, 21 anos depois, continuo assim. Precisando tomar tapas na bunda para acordar, porque se eu pudesse, dormiria o dia todo, me levantaria somente á luz da lua. Preciso tomar tapas pra ver a beleza que existe através das vendas da minha desilusão e falta de crença nas coisas, nos outros e principalmente em mim. Tenho que parar de achar que só o azar me acompanha e principalmente arrancar o desdém que carrego no olhar – e esse desdém é de mim mesma, por me achar medíocre e impotente – não sou ninguém sem um bom empurrão nas costas.

Escrito por Marcella Prado    Santos, 29 de novembro de 2011

6 months ago / 4 notes /

O mito do “amor eterno”

Quando vejo algo que me recorda o que fomos sinto uma fagulha. Não de paixão, e nem de amor. De remorso. Sinto-me arrependida por todas as noites de sono que foram perdidas, de todas as minhas unhas roídas, de todo mal que causei ao meu estômago e ao meu fígado, que choravam e pediam socorro, que só escuto agora, e que só sinto hoje os efeitos de toda podridão em que eu me enfiei por conta daquela mentira que era o nosso amor.

 Eu te amei sozinha. Nem deus me acompanhou naquela maluquice. Tenho vontade de encher minha cara de porrada quando recordo o fogo e a ira que se instalaram e dominaram meu espírito de sonhadora. Ainda estou viva, e isso talvez seja um milagre. Tenho vontade de dar ainda mais com a cabeça na parede quando penso que agora eu estaria sendo comida pelos meus bichos em uma cova, coberta de terra e fungo, a sete palmos do chão, sem minha amada família, meus amigos, e sem o meu amor. Creio que a tua podridão é maior que a minha. Você é frio e inerte, tem um iceberg no lugar do teu coração, e não dilata nem sacode, só goza e foge. O coito é rápido, intenso e desesperado. Outras coxas o esperam, outros peitos macios aguardam as tuas mãos compridas. Corra para putaria, essa é a tua fuga, seu demente.

Não te suporto, não te aceito e não te perdôo. Nem que você aclamasse minha presença em seu no leito de morte, eu ignoraria tua chamada com o mesmo desdém que fui rejeitada e humilhada por você, um merdinha, que por muito tempo eu costumava gritar para os sete cantos do mundo ” É ele o homem dá minha vida – Não há outro como ele – To fudida. Vou amá-lo para todo sempre” Pois me arrependo, isso pra mim foi a sentença de morte. Contei essa mentira mil vezes e por quase dois eternos anos, passados como séculos, tristes, arrastados e sombrios, eu acreditei nessas calúnias. Eu sentia tua presença e me desmanchava com as lembranças e desintegrava meus neurônios com o poder que a saudade tem de avassalar, destruir e destorcer tudo aquilo que foi e não mais existe. Eu te amei em memória, como quem ama um fantasma. Te via nos meus sonhos, no teto, no travesseiro, na parede do box, na minha cara lavada, no espelho embaçado e no vômito da privada. Acho até que por um tempo eu gostaria de ter te levado flores, para alegrar tuas vistas e celebrar meu luto. Era você quem eu bebia e dançava. Era o teu resto que eu comia e tragava.

Pois ouso dizer que você não foi digno do posto que te arrumei. O teu pedestal destroçou, virou pó; farelo.  Você não é, e nem foi um quarto do homem da minha vida. Não é digno desse posto. Sou demais pra você, mais que demais, muito demais. Você nunca suportaria meu brilho e nem a atenção que chamo ao falar das minhas aventuras e sonhos. Você não acompanharia jamais meu ritmo e sede pelo novo e pelo eterno. Você não sabe marcar e tão pouco se fixar em alguém. Você voa feito pena de pomba, rato andarilho, rápido, covarde e nojento. Odeio tudo que a tua memória representa e recorda. Arrancaria de bom grado tudo que teu dedo marcou e tua mão encostou. Arrancaria minha pele, minhas pernas, minhas bochechas. Trocaria meu cheiro, minha cor, minha nacionalidade, mas nunca, nunca  mudaria meus princípios e nem meu caráter, que são o teu oposto. Não sou desleal e nem covarde. Não abandono e nem despeito do sentimento alheio. Posso ser tempestuosa e meio maluca, mas aprendi desde pequena a ser leal. Não sou podre e vazia. Posso não ser feliz, mas não sou cruel. Nunca o fui, e a culpa de ter destroçado e desolado o coração alheio por diversão eu nunca carregarei.

Nunca sentirei o peso que teus olhos carregam, bem no fundinho, eu sei que ainda existe um resquício meu. Um arrependimento irreparável, e as profundezas da sua alma sabe o quanto esperar a sua volta e o seu sinal me fez mal. Você nunca foi burro, era alheio, mas atento, e portanto sabe o mal que causou tua falta de masculinidade e coragem de tirar-me da sua vida como um homem. Ser homem, não significa carregar pinto, isso todo macho tem. É preciso força e determinação. E você meu querido, é ainda um garotinho indefeso, brincando de viver, como se estivesse em um parque de diversão, e as mulheres, claro, são tuas montanhas russas. Proporcionam excitação e medo, e depois você abandona o carrinho em busca de outra aventura. O coração é o teu tiro ao alvo. Você finca as facas e pinos sem dó e nem piedade. É malvado feito os monstros que aterrorizam as crianças nos carrinhos de terror, e por isso eu enojo tudo que a tua presença possa vir a representar.

 Estou limpa. Livre. Solta. Crente e contente. Seja feliz, seja feliz quando puder limpar o teu coração, e a vida se encarregará da tua penitência.  Talvez até Deus duvide do que acabei de escrever, mas eu acredito, com todo sentimento que carrego na alma,  e em cada  pulsar.

 Escrito por Marcella Prado     Santos, 12 de novembro de 2011

6 months ago / 6 notes /

Chegue logo

Logo você chegará, meu amor. Logo surgirá com tuas mãos compridas e acolhedoras para arrancar de mim toda essa dor e essa infecção que me consome, espreme e deforma; que me impossibilita de cumprir minhas tarefas e faz-me passar dias a gemer envolta em meus lençóis. Logo verei teu sorriso à minha porta, terno e macio, dar-te-ei um beijo seco e um abraço apertado, não para que compartilhe do ardor junto a mim, mas para que arranque todo sufoco e aperto que esses últimos dias têm me causado.  Logo estará aqui, deitado junto a mim, acariciando meu ventre, para que eu me acalme e consiga dormir em paz. Você parece arrancar minhas dores com as mãos. O bem que me faz ficar perto de ti é indescritível. Logo você chegará e essas quatro horas de espera, suadouros e febres me parecem eternas. Logo verei teu corpo leve e macio levitando pela sala, trazendo-me água, perguntando-me se preciso de mais chá e ajuda para me levantar, a fim de satisfazer minhas vontades e me encher de dengos, por saber o quanto me faz bem receber os teus cuidados. Logo meu remédio chegará. Logo serei embalada no teu peito quente, ouvindo as batidas aceleradas do teu coração, e teus dedos acariciaram minhas bochechas macias. O tempo parará para nós e de certo a minha dor cessará. Acho que pelo momento em que ficamos juntos, a aflição que me consome saí do meu corpo, e se comove, nos observando de perto, como uma alma malograda, e sabendo da tua partida, se apodera novamente do meu ventre, até que você volte e me cure novamente. Só de pensar em teus afagos, meus rins se acalmam. Você é meu melhor remédio, meu anjo e a minha cura. Chegue logo, meu amor.

Escrito por Marcella Prado                               Santos, 05 de novembro de 2011

6 months ago / 4 notes /

Para sempre, adeus.

Não pertenço mais a ti. Tu me perdeste para todo sempre. Não tenho mais vontades de te escrever e nem de pensar em ti. Sinto nojo dos teus traços, de todos os nossos restos e também dos teus semelhantes. Não quero mais ouvir falar o teu nome, e nem saber notícias tuas. Não perco mais meu tempo fuçando a tua vida e sentindo raiva das infelizes mulheres que caem na tua rede de covarde. Que se lasquem todas com você, que morram, se comam, se fodam, se explodam. Tu, e elas. Não quero mais desejar morrer e nem de enforcá-las com as próprias mãos. Não quero desejar estar no lugar delas para receber o teu afago. Não quero nunca mais pensar que sou destinada a ser infeliz, e que escreverei para ti para eternidade. Não, seu escroto. Aliás, percebo que sou ainda muito jovem, que tenho valor e é hora de cuidar de mim.

Não deveria perder meu tempo explicando minha vida para ti, afinal de contas, tu não me lês mais, não queres saber como ando ou se desando. Aliás, tu foste covarde o bastante para ler tudo que te escrevi, em silêncio. Acompanhou a minha dor de mansinho, sem piar e nem pedir perdão. Explico talvez para os leitores, que tanto suportaram minhas aflições e reclamações.

Eu te entendo, juro que te entendo, Tu me fizeste feliz por um período, eu adradeço todos nossos momentos mais lindos, mas tudo foste como bola de sabão. Lindos e passageiros. Se não assoprares mais, não terás a beleza dos círculos coloridos. Tu não assopraste mais, eu tampouco, e, portanto, tudo se findou. Não guardo mágoas. Honestamente não sou capaz de descrever o que restou. Não é ódio nem rancor. É um sentimento vazio, oco, sem cheiro e nem fedor. Não arde e não lateja.

Meu coração está sarando, sendo curado por um anjo que me tropeçou no meio do caminho, e que tanto me fornece amor e carinho. Contigo conheci a primeira paixão, mas agora construo um amor de verdade, nada semelhante com aquele sentimento pegajoso, possessivo e nojento que eu tinha e mantinha por ti. Fui tola por muitos meses, por quase dois anos inteiros fiquei de luto – por pouco não me vestia só de preto, para sinalizar minha tristeza e luto –, e me forçava a te amar, sem medo da solidão futura e sabendo perfeitamente que tu não voltarias mais para ocupar o teu posto. Tu não soubeste honrar o que lhe dei, e não foste capaz de me amar como decência. Perdeste meu bem, perdeste para eternidade.

A vida parece mais cor-de-rosa agora sem o peso das tuas saudades. Não penso mais tantas porcarias, e é certo que caminho do lado correto, e para a direção da felicidade. Não tenho mais medo de amar, nem de me apaixonar. Sabe, meu ex-amado, agora olho para os lados. Olho para frente, para cima, para o céu, para as árvores. Aproveito o barulho do mar, dos beijos apaixonados que recebo docemente daquele que me cura o peito, e é tão paciente e gentil comigo. Nos entrelaçamos e nos olhamos com tanto carinho que quase me transborda os olhos.

Sinto pena de ti, juro que sinto. Um dia tu irás acordar e vais perceber o quanto foste tolo. Eu irei agradecer para sempre o teu desprezo, já que essa tua decisão me livrou de futuras esperas, sofrimentos, traições, paranóias. Tu não serias capaz de me fazer feliz, nunca. Não tens condições. Não és homem suficiente para isso. Ao teu lado eu não teria sossego. Somos dois loucos que nos encontramos por uma infeliz coincidência. Agora quero paz. Só paz. Depois que conheci a tormenta meu pensamento busca serenidade e distância de tudo me me faz recordar-te. Não ligo mais pontinhos, e pouco me importa de tu gostas ou não disso ou daquilo. Antes eu perdia horas a fio a sonhar contigo. Horas que não considero perdidas, afinal, foi essa a dor que desencadeou mais uma vez meu amor pela escrita.

Desejo-te boa sorte. Mesmo distantes, e, agora dois perdidos por esse mundo, felicidades. Aprenda a controlar teus hormônios, ou então vais arrumar um filho precoce. Cuida das mulheres que tanto o amam, não perca jamais esse sorriso e a tua facilidade para decidir e mudar as coisas. Sou um coração a menos no teu álbum de figurinhas. Podes me cortar já da tua coleção e dos teus troféus. Cansei de me afogar no meu mar particular de mágoas.

De uma vez por todas e pela última vez: Adeus. Adeus para sempre. Não quero ver-te nunca mais nos meus sonhos e nem nas minhas saudades. Tua entrada foste vetada. Deixa-me ir, a felicidade me aguarda. Faminta, insaciável e infinita. Adeus para ti, que foi o peso dos meus olhos durante dias eternos e noites sem sim. Adeus para ti, que me fizeste chorar, adoecer e querer morrer. Adeus para ti, que tanto me fizeste desacreditar na vida. Adeus para ti, adeus. Para sempre adeus. Fique em paz. Agora não tens mais a minha assombração no teu cangote.

Escrito por Marcella Prado   Santos, 03 de novembro de 2011

7 months ago / 2 notes /
 
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